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28/04/2004 10:44
Absoluto x relativo (discussão continuada)

"Em suma, não há nada a ser temido com a perda do absoluto. Ele nunca existiu realmente. O caos não reina. Em vez disso, esforços de tentativa-e-erro têm aperfeiçoado as leis, tornado as instituições mais eficientes e adaptado os princípios morais melhor à continuada sofisticação do conhecimento humano. As genuínas necessidades e preocupações humanas que conduziram à formulação dos Dez Mandamentos e outros supostos absolutos também abasteceram sua sofisticação dentro de nosso vasto corpo de mutáveis leis e princípios éticos." (fragmento de texto retirado do site ateus.net acerca da suposta Verdade Absoluta contida nos famosos "dez mandamentos"), abaixo, minha opinião:

Esses “esforços de tentativa-e-erro” de que o autor fala nada mais são que a denúncia clara, e involuntária dele, de que o “Caos não reina” totalmente porque há o contraponto, a antítese, há quem re-equilibre as coisas...Há quem possua uma ética acima das organizações humanas religiosas com seus dogmas e acima das organizações atéias com suas contradições de “aproveite a vida ao máximo”. Ora, o máximo não tem limite, senhores, portanto, quem segue isso à risca não pode apenar quem quer que seja, por exemplo, pelo cometimento de um roubo ou um assassinato porque esse alguém desejou ardentemente um tênis importado que o garoto comprou, por sua vez influenciado pela mesma falácia do “aproveite tudo”. Se há leis que inibem esse tipo de comportamento é porque a sociedade sabe, intuitivamente, antes mesmo das tão famosas “demonstrações” exigidas pelos ateus, que, não havendo um dispositivo qualquer de controle (disciplina), a humanidade se perde. Nenhuma sociedade sobrevive se não se limitar. O processo de aperfeiçoamento das leis é a confirmação tácita de que há uma Lei Maior. Não se busca melhorar algo já acabado.
O Absoluto inspira o relativo, incita-o a continuar, mesmo que este não reconheça aquele.

Num olhar mais cuidadoso no comportamento de Jesus, verifica-se que Ele já sabia dessa relatividade dos mandamentos, tanto que advertiu por várias vezes (referindo-se às leis mosaicas): “foi dito aos antigos, eu porém vos digo”... Também dizia “Eu não vim para abolir a Lei e os profetas, mas para completá-la” (não diz “cumpri-la” como a grande maioria das traduções modernas) e arrematando, lançou os dois grandes, e necessários, mandamentos: amar a Deus e ao próximo, ou seja, o Amor, tão abstrato, é “palpável” através da ética, da solidariedade.

enviada por Alberto Sales






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