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05/08/2003 13:23
RESPOSTA
Réplica ao comentário da Lissis sobre o texto da Reencarnação (como sempre, o espaço está aberto para concordâncias ou discordâncias)
Olá... de início quero lhe parabenizar pelo profundo conhecimento da Doutrina Espírita, dá pra perceber aí até uma grande admiradora do Divaldo Pereira Franco (grande orador), mas vamos lá...concordamos os dois no que diz respeito à Lei da Ação e Reação, aliás, isso é ensinamento antigo e verdadeiro quem semeia ventos, colhe tempestade...e concordo com você quando alertou no início que você iria mostrar as pessoas o que fala o espiritismo, ou seja, é a sua visão, que respeito profundamente. Mas no caso do fumante que você citou e que teria contaminado seu períspirito por causa do fumo...posso estar falando bobagem, mas ao que me consta, por relatos médicos, doenças pulmonares, de nascença, são oriundas de descuidos na gravidez. Se uma mãe (que não nasceu com problemas respiratórios) fuma há muito tempo, e também quando grávida, a probabilidade da criança nascer asmática ou coisa afim é enorme (que é mesma Lei de Ação e Reação citada, só que no plano físico). Quero dizer com isso que, necessariamente, não é preciso uma combinação de vivências passadas e presentes para que fatos dessa natureza ocorram. Os homens e sua indisciplina fazem isso muito bem.
Quanto à questão da culpa...quando você deixa entender que o problema está em nos sentirmos culpados, eu discordo. Culpa ou sentimento de responsabilidade são nomes diferentes para a mesma sensação. O problema não está na culpa, está em não se ter a consciência de que podemos nos redimir dela, qualquer que seja. E essa consciência pode ser adquirida aqui mesmo, através dos ensinamentos dos grandes, sem que seja preciso se voltar futuramente.
Quanto ao exemplo das pessoas que se não se sentem merecedoras de nada (e isso seria por uma herança do subconsciente de outra vida), o exemplo não é absoluto. Porque há pessoas (e como há), que cometem os mais graves delitos e não se acham, nem por um segundo, devedoras nem culpadas por nada, como no caso daquele deputado (o Hildebrando) que serrou um inimigo seu, vivo, e vivia satisfeito em seu egoísmo sem se incomodar com isso.
Já não acreditar na sua capacidade é, muitas vezes, um problema originado lá na infância (quem tá dizendo que não se identifica em nenhum momento...nem na infância é você, não a Psicologia), quando a criança não é devidamente assistida em casa, na sociedade e na escola (mais uma vez, ações que geram reações). E, na verdade, na verdade, é necessário um pensamento muito cuidadoso de cada um de nós quanto ao chamado merecimento de cada um. Ao meu ver, não é muito saudável ao espírito a sensação de que merecemos somente coisas boas. Assim, assemelhamos-nos àquele fariseu rezando no templo que disse graças te dou senhor, porque não sou como resto dos homens
Quanto ao encobrimento de lembranças para a proteção do indivíduo, não vejo a necessidade disso, seria um artifício inóquo, uma vez que, se a pessoa, ao saber do seu passado, revoltasse-se com ele, e contraísse mais débitos ainda, outras encarnações ela teria que fazer até que aprendesse a viver com a Verdade.
Quanto ao pecado, entendo ele no seu sentido profundo, ou seja, estar em pecado é estar separado, não sintonizado do Todo...e discordo quanto à inexistência do certo e do errado, claro que existem...independente de nossos julgamentos eles existem...e existem as conseqüências (ação e reação) dessas escolhas...que do certo (sintonia) é harmonia, do errado (separação) é o caos...matar ainda que seja em legítima defesa é errado (Jesus não permitiu a Pedro que o defendesse com espada)...e uma pessoa pode matar por prazer, mas sem ter muita culpa nisso (ou até nenhuma)...basta que quando criança tenha sofrido traumas de tal forma que todos os valores na sua mente tenham sido deturpados...um débil pode matar por prazer e ter pouca culpa nisso...e aí, mais culpados são os adultos que levaram essa criança a esse nível de violência.
Quanto às estatísticas das favelas que você falou...concordo que grande parte da população ali não usa drogas (ilícitas...muitos usam as lícitas: fumo, bebida, e isso não é privilégio só das classes menos favorecidas)...e o exemplo que dei foi de uma pessoa que sofre essas conseqüências de ações humanas aqui e agora, eu não disse que todo mundo em uma favela é drogado, disse que, em casos assim, a probabilidade de deficiência da criança será bem maior. Sei que há religiões por lá...e que, apesar de tudo, servem como muletas para as pessoas... e concordo com você quando diz que a quem muito foi dado, muito será cobrado, mas entendo que esse muito que nos foi dado é a nossa inteligência, ou seja, todos que podem (excetuando-se aí os débeis mentais de nascença ou feitos assim pela sociedade) melhorar o tempo todo...se não for nessa existência, pode ser nas muitas moradas citadas pelo Rabi de Nazaré.
Sobre a formação do feto pelo espírito...isso é tese espírita...respeito sua opinião, mas não consigo me convencer dela...ainda que numa sessão espírita um espírito me dissesse que isso é assim, ainda assim eu ficaria reflexivo, pois como somos todos dotados de livre-arbítrio, um espírito pode muito bem falar o que quiser, a fim de convencer alguém, né? O que eu sei é que quando cuidamos mal do nosso corpo, os males aparecem...
De resto, de tudo o que você falou, e aliás muito bem falado, você realmente conhece a fundo a doutrina...mas de tudo o que você falou, ficou ainda o cerne da questão, na minha visão é claro: por que há a necessidade de se retornar à Terra e sofrer fisicamente ou até psicologicamente para pagar débitos se podemos dar conta de nossas falhas em uma das muitas dimensões que por aí há (no caso, isso pra nós que acreditamos em continuidade da vida)?? A história mostra que muitos grandes homens e mulheres renasceram nessa vida mesmo, isto é, tinham uma vida bem desregrada e através da compreensão de suas falhas e ação para uma vida nova, renasceram, como foi o caso Nicodemos, Agostinho, Paulo de Tarso, Maria de Mágdala, Francisco de Assis entre outros. Repito o que disse o meu amigo Rohden o importante não é sofrer ou deixar de sofrer, o importante é saber sofrer. Seus argumentos são muito bons, sem dúvida, têm a sua lógica, mas essa brechas para as explicações sociais e científicas é que me fazem não abraçá-los inteiramente. Quem me conhece sabe que não sou existencialista (e nem quero ser), mas me comporto como um, uso esse método exatamente para buscar explicações que sejam irrebatíveis.
Um abraço!!!
enviada por Alberto Sales
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