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13/02/2003 09:50
MENTIRA INOFENSIVA(?)

Ontem estava almoçando num self-service perto daqui do trabalho, quando o dono do estabelecimento (o pai que estava atendendo a um telefonema) perguntou em voz alta ao outro dono (filho): “o almoço da Fátima já tá pronto?”...no que o filho respondeu naquele timbre de quem tá em débito com alguma coisa, sabe? Aquele que começa numa altura e vai-se diminuindo o tom, a fim de que o receptor não entenda bem o que o emissor disse: “Tá saindo”...aí o Pai disse “o quê?” e ele repetiu, quer dizer, modificou a resposta, dessa vez em unísono: “já saiu”. Só que a quentinha ainda estava do lado dele...
Agora pergunto: uma mentirinha dessas é inofensiva? Afinal, a pessoa, do outro lado desligou e, contente, esperava o almoço, que realmente, após o telefonema, saiu. Parece que tudo está resolvido...
Existe um ditado popular que diz “a mentira tem perna curta”. Será? Na verdade, este ditado tem a função moral de evitar que as pessoas mintam porque com certeza, brevemente, serão descobertas, é o que diz o ditado. Mas, acho que isso não corresponde à realidade. Uma mentira pode durar muitos anos e até nem ser descoberta nunca, basta que o mentiroso (no caso em que só ele saiba da mentira) nunca a revele. Por isso, alegar que o filho não deveria mentir porque a Fátima descobriria sua mentira não é argumento final, porque, nesse caso, tão “inofensivo”, ela jamais descobriria, e ainda que viesse a saber, depois de já ter almoçado, provavelmente nem ligaria mais...
Porém, o problema último das mentiras, incluindo essas aparentemente inofensivas é que elas, por terem caráter de impunidade, viciam o praticante...no dizer de um pensador moderno “aumentam o declive”, facilitam novas mentiras, cada vez mais freqüentes e maiores, dão exemplos negativos aos outros...e numa reação em cadeia, logo, logo, todo mundo está mentindo. Aliás, é exatamente a nossa realidade atual. Mente-se em todas as situações: manda-se dizer que não está pra não atender aquele telefonema “inoportuno”; cola-se nas provas, porque não se quer estudar nem prestar atenção às aulas; mente-se, ao fone, que se está doente, a fim de não ir trabalhar; os vendedores garantem que aquele produto é excelente, quando ele sabe que não é; políticos, alicerçados em Maquiavel, mentem à população garantindo que vão lhes cuidar da saúde e da educação...e assim vamos nós...nós? Eu tou no meio?
Se eu minto? Claro!! Os exemplos me vêm de longe (fato que não me tira a culpa, porque se tiver coragem, não minto)...mas são mentiras “inofensivas”...

"Quem pode, deve! Quem pode, deve e não faz, cria débito! E todo débito gera sofrimento" Huberto Rohden

"Conhecereis a Verdade, e Ela vos libertará", Jesus, o Cristo

enviada por Alberto Sales






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