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17/02/2003 08:45
Comentários sobre os comentários do Camus:

Você disse que os jovens que estão todos os dias na sua rua não são “nada “loucos” e sim perpetuação de toda podridão e decadência da sociedade atual”. E é exatamente isso que eu quis dizer no meu comentário quando disse que “auto-loucos” fazem a as mesmas coisas “diferentes” se sempre”. Portanto, você falou a mesma coisa que eu com outras palavras. E de novo quando você disse que são “jovens comuns”, confirmou o meu comentário. Também acho isso, que, apesar de quererem ser loucos (na intenção final de serem considerados sábios, ou de, pelo menos, chamar atenção para si), são todos pessoas comuns, levados por informações várias, sem concatenação (vestem camisetas de "paz e amor", que em alguns casos têm a intenção tácita de solicitar a liberação da maconha, outras com rostos do Che, outras com símbolos do Taoísmo...etc)

Quanto à realização individual, volto a dizer que é a única coisa que pode ser alcançada. Ninguém pode melhorar ninguém, só se pode melhorar a si próprio. Você citou que Ghandi tentou realizar o coletivo (pelo menos entendi que você quis dizer isso), mas veja que não conseguiu. Mesmo os que estavam mais próximos a ele (os que decidiriam sobre os futuros países: Índia e Paquistão), não conseguiam sintonizar com as idéias do Mahatma. Muito menos a grande massa, que o admirava, mas que até hoje se enfrenta por questões religiosas e de terra. Claro que você pode, e deve, auxiliar as pessoas, a fim de que elas, por si mesmas, se realizem (vou mudar essa palavra, para depois não ser mal interpretado), a fim de que elas EVOLUAM, mas você não pode decidir por elas. Como já disse o grande ateu Nietzsche, e outros, “ninguém pode ser BOM no meu lugar”. Como disse o Profeta de Nazaré: “primeiro tira o trave do teu olho, aí poderá ver melhor e auxiliar o teu irmão a tirar o argueiro do olho dele”. A grande conquista de Ghandi não foi a independência da Índia, foi a independência de sua liberdade sobre as tiranias que o cercavam. Ghandi...o homem que conseguiu unir a teoria à prática.

Por fim, quando você fala de guerrilha...respeito a sua opinião...mas, decididamente, não concordo com ela...nada se consegue incitando o ódio...pois se, em qualquer conflito violento, uma parte vence, é certo que a outra (vencida), apenas aguarda (e avidamente planeja), o dia em que voltará a comandar as ações. Che Guevara, o grande guerrilheiro, tinha uma vontade férrea de levar a justiça a todos os seus irmãos. Indignava-se como ele mesmo dizia “contra qualquer injustiça feita a qualquer pessoa em qualquer lugar”, mas seu método para acabar com ela, é flagrantemente errado. Não se acaba um negativo com outro negativo. Só positivo (a força da benevolência) anula um negativo. Ainda que demore, afinal toda a grande mudança demora. Perguntado a Ghandi, durante a Segunda Guerra, se a sua AHIMSA (não-violência) seria eficaz contra Hitler, respondeu ele: “Não sem muita dor...mas não é exatamente o que temos agora? Dor?”.
Por isso, para que a sociedade encontre meios de se suportar, o caminho é a não-violência. Porque a violência não pode ser nem contra pessoas, nem contra animais, nem contra vegetais, nem contra prédios (no caso Bancos). Isso não que dizer ser submisso a vontade dos dominantes. Isso que dizer ser PACIFICADOR (Fazedor de paz). E é preciso mais que metralhadoras pra se fazê-la...é preciso disciplina sobre si mesmo!!
Guerrilhas, quando muito, só alteram os donos de poder. Quem domina pela força, não domina.

“Eles podem me torturar, podem quebrar meus ossos, podem até me matar...aí eles terão o meu cadáver; não a minha OBEDIÊNCIA”. MAHATMA GHANDI

enviada por Alberto Sales






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