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17/02/2003 17:57
Comentários sobre os comentários da Kekel

Oi Kekel,

Você disse que eu “pareço querer dar respostas a tudo”...rs...a tudo não, só aquilo em que eu tenha opinião a dar (que aliás, como já fiz ver aqui mesmo nesse diário...nem são minhas idéias, são as idéias daqueles em quem eu acredito...costumo juntar o que tem de comum aqui e ali e acolá... e pronto...é claro que elas assumem umas características, bem imperfeitas por sinal, minhas...mas na essência, não me julgo no direito de me apoderar delas). E "querer dar respostas a tudo" não é característica apenas do dogmatismo...todas as filosofias buscam isso, se não assim fossem, nem teriam sentido de existência. Dogmatismo é sinônimo de intolerância, de incontestabilidade...nesse sentido, acho que não me classifico como um.

Quando você, no outro comentário, questionou “será que existe uma verdade universal a ser alcançada?”, deu a entender que não estava tão certa assim sobre a existência de uma Verdade, embora contraditoriamente, pois já tinha visto outros comentários seus em que nos deixa ver que, no seu íntimo, você acredita em alguma coisa Maior...

E a confusão quem fez, mais uma vez, foi você. Quando Fala que Baruch Spinosa e “toda sua filosofia visa combater a religião”, mais uma vez, você se refere às organizações humanas, com seus dogmas e rituais...que nunca foram criados, tampouco deixados de herança por Jesus, o Cristo a quem quer que seja. Jesus não fundou nenhuma Igreja.
O que Spinosa combate, portanto, não é a Religião, no sentido de ser elo, "re-ligação " (lembra?), entre o indivíduo e a divindade; combate, sim, as organizações de homens falhos e ambiciosos. Neste sentido, no macro sentido, Spinosa e Jesus falam exatamente a mesma coisa: a capacidade que tem um ser humano de ser, realmente, livre das circunstâncias externas (a ponto até de estar disposto a morrer, por seu ideal, como exemplifiquei alhures com Ghandi) quando está sintonizado com a Verdade.

E, por fim, concordo totalmente com você quando diz que "procura a verdade absoluta porque não a conhece, se conhecesse não precisaria mais buscar, nem crer, porque não se crê no que se conhece". Ou seja, o finito jamais alcançará o infinito, jamais terá termo a nossa jornada... e isso é que me fascina, Kekel, porque é certo que uma coisa quando totalmente desvendada perde o encanto de quando se ia ao seu encalço, concordo plenamente com você...e com o Rohden que sempre bate nesse ponto.
Nesse sentido, aí sim, faria sentido a "vida eterna"...o eterno estar-se indo...

Um abraço!!!
enviada por Alberto Sales






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